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Por José Nilton Dalcim - 17 de julho de 2013 às 20:28

O tênis de Roger Federer melhorou com a nova raquete? Não deu para tirar qualquer conclusão depois de sua estreia em Hamburgo. Ele jogou com o protótipo da Wilson, que garante ser um modelo totalmente novo e que vem experimentando desde Wimbledon, com a diferença básica de ter cabeça de 98 polegadas quadradas, ou seja, quase 10% maior do que as 90 que utilizou na década em que construiu sua história nas quadras.

O primeiro set do suíço não foi dos melhores. No primeiro game, marcou três aces mas ainda assim perdeu o saque. Pareceu sem ritmo ideal e não recuperou mais a quebra. Até então o alemão Daniel Brands lembrou aquele rapaz que ameaçou Rafael Nadal em Roland Garros, com um tênis sólido e agressivo. Mas aí ele caiu demais de produção, cometeu muitos erros e isso comprometeu de vez uma análise mais apurada do que poderá mudar no estilo ou na precisão de Federer com a troca de raquete.

A rigor, não me pareceu que o saque ou o forehand tenham ficado mais veloz. O backhand fez a tradicional mistura de slices e batidas, mas com alguns erros que já habituamos a ver. Duas coisas podem ser consideradas positivas: o fato de Federer parecer bem à vontade em quadra, buscando as linhas como sempre, e seu voleio, que continuou afiado.

A vitória de virada também deve lhe dar mais confiança. Pena que Ernests Gulbis tenha perdido. Seria um teste bem mais interessante do que Jan Hajek.

Top 100 – Como todo mundo já sabe, Thomaz Bellucci perdeu na estreia de Hamburgo e irá deixar a faixa dos 100 primeiros do ranking pela primeira vez desde 2009, muito por culpa do calendário alterado, que o fez defender os 250 pontos de Gstaad uma semana antes. Mas nem se pode dizer que isso fez diferença, porque ele teria tal obrigação na próxima semana e ainda não deve estar no melhor ritmo após a parada de 72 dias. Provisoriamente, ele é o 111º, mas ameaçado por pelo menos mais três tenistas.

Ao mesmo tempo, Teliana Pereira deixou escapar a histórica chegada ao top 100, depois de ter 6/3 e 4/2 diante da boa espanhola Lourdes Dominguez. Pelas contas, aparecerá no 102º na segunda-feira e será a melhor tenista nacional de forma absoluta. Fato curioso, mas não sei se vale qualquer exagero jornalístico, porque afinal acontece mais pela queda de Bellucci. Além, é claro, da impossível comparação entre os dois circuitos.

De qualquer forma, me arrisco a dizer que Bellucci não ficará lá muito tempo, porque joga tênis o bastante para recuperar seu posto no top 50. E que a entrada de Teliana entre as 100 é questão de tempo. Eu acredito que ela tenha tênis para beliscar até o 70º ainda nesta temporada, conforme crescer sua experiência nos torneios maiores.

De olho – O ATP 500 do Rio de Janeiro está mesmo atrás do sérvio Novak Djokovic. Ele é atleta contratado da IMG, que é a dona da data brasileira na parceria com a empresa de Eike Batista. O maior entrave foi a enorme demora da Prefeitura do Rio em liberar a verba que pagou o cachê de sua exibição com Guga Kuerten, em novembro do ano passado. Estava virando novela. Isso resolvido, a chance de ele vir cresceu muito.


Por José Nilton Dalcim - 15 de julho de 2013 às 18:15

fedA foto ao lado surgiu como uma bomba na Internet algumas horas atrás, principalmente nas redes sociais. Claramente, foi tirada durante  treino de Roger Federer desta segunda-feira no torneio de Hamburgo. Imediatamente, começaram as especulações, mais do que justas: o suíço irá trocar de modelo de raquete? Teria se inscrito em Hamburgo e Gstaad para testar a mudança?  O que isso pode mudar no seu jogo?

Ao se olhar a raquete ao lado, parece bastante óbvio que o modelo que está na mão de Fedeer não é a Wilson BLX Pro Staff 90 que ele tem utilizado nos últimos 18 meses. Não existe um consenso. Muitos apostam que é algo mais para o modelo Blade 98, embora haja opiniões que se trata de um protótipo que pode estar entre 95 e 98 polegadas quadradas de cabeça. Não menos evidente é o aro da raquete, aparentemente mais leve. A Pro Staff 90, como diz o nome, tem 90 polegadas quadradas de cabeça e pesa 357 gramas quando encordoada. O modelo Blade tem 32 gramas a menos.

Federer é o único dos seis primeiros do ranking a utilizar uma cabeça ainda tão pequena para os padrões atuais. O sérvio Novak Djokovic, os espanhóis Rafael Nadal e David Ferrer e o tcheco Tomas Berdych usam raquete com cabeça 100, enquanto Andy Murray optou por 98.

Mas o que significaria essa mudança? Vamos ver o que os especialistas no assunto dizem.  Uma cabeça maior oferece mais força nos golpes de base e permite mais ‘erros’, já que a chamada área perfeita, o ‘sweet spot’, fica também maior. Quanto ao peso, a raquete mais leve facilita o chamado ‘swing’ (preparação e execução do golpe). A combinação de cabeça maior e aro mais leve, no entanto, não ajuda tanto na precisão dos voleios e pode prejudicar o backhand de uma só mão, principalmennte no controle do golpe. Só mesmo muito treino para se recuperar o ‘timing’ ideal.

Só teremos uma resposta 100% certeira sobre a possível mudança quando Roger entrar em quadra para a segunda rodada, provavelmente na quarta-feira. Mesmo que ele esteja treinando com o modelo novo, pode muito bem não se sentir confiante e voltar à velha raquete. No entanto, a tentativa pode esclarecer de vez seu pedido inusitado de convite para Hamburgo e Gstaad. Além de ser um período do ano em que raramente joga torneios, ele ainda optou pela volta ao saibro quando o alvo são as quadras sintéticas norte-americanas.

Caso tudo isso se confirme, acho que Federer fez uma excelente opção. E mais: deixa claro que está à procura de alternativas para se manter vencedor. Trocar de raquete perto dos 32 anos é uma aventura à qual pouquíssimos tenistas se arriscariam. Na verdade, essa mudança é uma das coisas mais temidas no circuito profissional, em que tantos sofrem – lembram de Djokovic? – e muitos mentem, a ponto de pintar e disfarçar modelos antigos e até de marcas concorrentes a seu patrocinador.


Por José Nilton Dalcim - 13 de julho de 2013 às 10:22

Acabo de revisar o calendário para o segundo semestre e vejo que ele ficou ainda menor para o tênis masculino brasileiro. Agora, apenas cinco challengers e oito futures devem acontecer de julho a outubro, um incrível contraste em relação a temporadas anteriores.

As cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Campinas e Rio Preto confirmaram seus challengers, enquanto Belém cancelou. Os futures previstos acontecem no Norte (Porto Velho, Manaus e Belém), Nordeste (Natal), Sudeste (São Paulo. Campos do Jordão e Rio Preto) e Sul (Caxias). A única boa notícia é que seis desses futures terão premiação de US$ 15 mil.

Se por um lado a diminuição dos futures nacionais forçou a moçada a ir mais ao Exterior em busca de pontos e intercâmbio, para muitos outros – especialmente os que não têm ajuda para ficar fora do país por muito tempo – foi uma ducha de água fria. Curioso observar que o future da próxima semana, numa academia paulistana, só deverá ter brasileiros em toda sua chave, já que um único inscrito estrangeiro figurava, e no quali.

Fracasso – Os brasileiros de ponta, aliás, não devem ter prestado atenção ao ATP que Bogotá passa a promover nesta temporada sobre piso sintético e com a excelente premiação de US$ 727 mil. O torneio comprou a data de Los Angeles mas foi um considerável fracasso.

O maior nome será o sérvio Janko Tipsarevic, seguido do sul-africano Kevin Anderson e dos locais Santiago Giraldo e Alejandro Falla. O último a entrar diretamente na chave principal foi Evgeny Korolev, 175º na lista de inscritos.

O quali do torneio não reúne mais do que 20 inscritos e está tão fraco que o cabeça 8 ocupa apenas o número 508 do ranking. Mesmo assim, o único tenista nacional participante é o carioca Fabiano de Paula, que entrou de cabeça 3 e precisa ganhar dois jogos para avançar à chave principal.

Ranking – Caso o australiano Lleyton Hewitt atinja a final de Newport, o paulista Thomaz Bellucci cairá para o 70º lugar do ranking na segunda-feira. Ele reiniciou a temporada sem grande sucesso em simples em Stuttgart, o que é normal para uma parada longa, mas o problema é ter muitos pontos a defender também na próxima semana (cairão os 250 do título de Gstaad, que está uma semana atrasado em 2013). Ou seja, corre o risco de deixar o top 100.

No feminino, Teliana Pereira perdeu mesmo a chance de figurar pela primeira vez entre as 100 primeiras, com o atraso na entrada dos pontos de seu segundo título na França. A classificação de segunda-feira será o 105º posto. Pelo menos, é praticamente certo que entrará direto no US Open. Talvez não na lista preliminar – que conta as 104, mais algumas com ranking protegido -, porém logo depois com os inevitáveis abandonos. Será o fim de exatos 20 anos de jejum da presença feminina brasileira em torneios de Grand Slam.

Aliás, Bia Haddad também não deu sorte. Forte candidata ao título de Campinas, sofreu um incrível acidente na sexta-feira, machucou a clavícula e teve de desistir no quarto game. Se faturasse os 50 pontos, saltaria para a faixa das 220 primeiras e teria chance de disputar o quali do US Open. De qualquer forma, ela e Larri Passos decidiram jogar a chave juvenil de Nova York.


Por José Nilton Dalcim - 9 de julho de 2013 às 15:43

A questão que mais me fizeram desde domingo é difícil de responder em poucas linhas: até onde o tênis versátil mas por vezes tão inconsistente de Andy Murray pode chegar?

Antes de mais nada, ele já foi longe. Ganhar dois Grand Slam na Era Federer-Nadal-Djokovic é um feito. Esse trio venceu 31 dos últimos 34 títulos de Grand Slam. Duas dessas mínimas exceções couberam justamente ao escocês, no US Open do ano passado e agora em Wimbledon, ficando a outra com Juan Martin del Potro, isso há quatro anos.

Claro que ainda é pouco para colocar Murray na história do tênis. Ele ainda pode ganhar outros Slam, que são afinal o que importam?

Tenho certeza que sim. Murray tem mão perfeita para a grama e isso abre boas portas para pelo menos mais uma conquista em Wimbledon, principalmente porque o maior tenista dos últimos 10 anos no All England Club está chegando próximo da aposentadoria. Convenhamos: tecnicamente falando, o escocês tem muito mais arsenal sobre a grama do que Novak Djokovic ou Rafael Nadal. E agora, livre da cobrança, pode render ainda mais.

No entanto, não podemos esquecer que Murray gosta mesmo é da quadra sintética, onde até então tinha todos seus maiores troféus do circuito tradicional, com um Slam e nove Masters. Nesse piso, no entanto, a concorrência também fica maior, porque é o melhor de Djokovic e Federer, assim como de Del Potro, Tsonga, Berdych. Até Ferrer tem se dado muito bem nele. Nadal é uma incógnita para esta temporada.

Atual campeão, Murray tem de estar na lista dos favoritos para o próximo US Open, mas tenho a impressão de que sua maior chance de novo grande troféu pode estar em Melbourne. Ele fez final em três dos últimos quatro anos, duas delas jogando muito mal. Ou seja, tem a capacidade de ganhar, até porque é um torneio que exige muito do físico devido ao forte calor. Faltou mental. Se fizer uma preparação bem centrada, é fortíssimo candidato.

O desafio final do escocês obviamente é o saibro. Nem podemos exigir isso tudo dele. Embora tenha passado bons anos na Espanha e ter um certo ‘estilo espanhol’ na maneira de se defender e correr atrás de todas as bolas, não consigo vê-lo em condições de ganhar do Rafa, Nole ou Ferrer de hoje. Teria de dar muita coisa certa, e estou falando num Masters de Madri ou de Roma. Não me atrevo a imaginar algo melhor que uma semifinal em Paris, ainda que seu técnico tenha sido um dos grandes sobre o saibro da Era Profissional.

Por fim, me parece que Murray está muito bem como número 2 do ranking. Matematicamente, existe é claro a oportunidade de brigar pela ponta ainda nesta temporada. Vamos esquecer que ele defenderá o torneio olimpico e o US Open. Vejamos a classificação da Corrida, que considera os pontos da temporada. Murray tem hoje 5.160 pontos, 1.070 atrás de Djokovic e a 1.850 de Nadal. Como a temporada norte-americana de agosto/setembro coloca 4 mil pontos em jogo, é possível ele tirar boa parte dessa diferença e sonhar com a liderança no finzinho do ano. Na prática, no entanto, é muito difícil, porque voltamos à análise inicial de que a quadra dura é justamente a que promete maior equilíbrio.

Além disso tudo, não sei se o tênis masculino está preparado para ter Murray como 1. Não por enquanto. Embora tenha qualidade inegável, lhe falta aquele algo mais que sobra para Nole, Nadal e Federer. Sim, eu sei que o que importa são a regularidade, as vitórias, os pontos somados. Nem sempre, porém, isso é o melhor para o esporte. Como não pode adquirir carisma da noite para o dia, Murray só terá esse respeito se seu jogo espetacular se tornar uma constante e não um hiato.

Tabu quase caindo – Teliana Pereira, pena, perdeu na estreia de Palermo nesta terça-feira e com isso é pouco provável que consiga aparecer no top 100 da próxima segunda-feira, tudo por culpa desse ultrapassado ranking feminino que espera 14 dias para computar pontos de torneios de nível US$ 25 mil. Não fosse isso, ela seria 99ª do mundo hoje.

Se esse tabu não cair, outro parece com os dias contados: Teliana dificilmente deixará de estar entre as 104 primeiras na próxima segunda-feira e assim tem gigantesca chance de entrar diretamente no US Open, que será seu primeiro Grand Slam, pondo fim a um jejum de exatos 20 anos do tênis feminino nacional. A última a jogar um Slam foi Andrea Vieira, ao furar o quali do mesmo US Open de 1993.

O vencedor – Ricardo Pimenta, de Videira (SC), foi quase tão bem no Desafio do Blog para a final de Wimbledon quanto o próprio campeão Andy Murray. Cravou o palpite de 6/4, 7/6 e 6/4, errando o placar por apenas um game (o segundo set foi 7/5). Dessa forma, ele fatura a biografia de Novak Djokovic, sucesso da Editora Évora.


Por José Nilton Dalcim - 7 de julho de 2013 às 17:32

Como acontece na última imagem do filme britânico de Danny Boyle, o vencedor do Oscar ‘Quem Quer Ser Um Milionário’, assim estava escrito.

Era uma questão de tempo até que Andy Murray conquistasse Wimbledon. Ele foi subindo degrau por degrau, aprendendo a cada derrota. Quartas em 2008, três semis seguidas, a final do ano passado e por fim o título olímpico, que desencadeou todo o resto.

Em algum momento as coisas se alinhariam e quis o destino, e os supersticiosos de plantão, que o jejum de 77 anos terminasse no dia 7 de 7. Aliás, foi em 1977 que Virginia Wade conquistou o último título britânico em Wimbledon.

Ainda que insista em ser mais defensivo do que poderia, Murray tem um jogo muito adequado à grama de hoje em dia, piso sobre o qual ganhou 24 de suas últimas 25 partidas. Tem um bom primeiro saque, ótimo tempo de devolução, pode usar qualquer efeito na bola, muita perna e contraataque. Se for necessário, também sabe volear. Mas isso é coisa que a tênis moderno deixou em plano totalmente secundário.

Certamente, deve muito de seu progresso ao trabalho com Ivan Lendl. Como ele mesmo não se cansa de repetir, o norte-americano de origem tcheca conseguiu lhe dar um outro estágio mental. Deixou de ser o menino mimado e queixoso de dona Judy. Não dá para ser tenista de ponta sem lidar com frustrações e pressão.

Murray já parecia pronto para ganhar Wimbledon no ano passado, quando fez um set e meio perfeitos contra Roger Federer, porém ainda faltavam alguns demônios a exorcizar. Essencial lembrar que ele chegou à final de todos os últimos quatro Grand Slam que disputou – não esteve em Paris – e derrotou Novak Djokovic em suas duas conquistas.

No entanto, ele continuará sendo um tenista um tanto fora dos padrões. Não se pode imaginar, nem exigir, que dará um grande embalo ou que se anime a tentar o número 1 do ranking. Murray é Murray. Não preza pela constância, mas por lampejos de um tênis de excepcional qualidade. Estará sempre entre os favoritos sem nunca ser o favorito. Parece não se incomodar com isso.

Djokovic caiu de produção nas rodadas finais. Fez um jogo belíssimo contra Del Potro, mas já mostrou ali alguns ‘buracos’ na postura outrora impenetrável. Talvez o cansaço mental explique os altos e baixos contra Murray, em que não soube administrar a partida sequer quando abriu 4/1 no segundo set. Desta vez, os erros excessivos não tiveram recuperação, ainda que ele tenha insistido até o último ponto.

O circuito masculino tem assim três campeões diferentes para cada Grand Slam da temporada e se muda para a quadra sintética norte-americana, que culmintará com o US Open. Promissor.

Feminino – Enquanto o masculino viu uma final  histórica, ainda que bem mais rápida do que se esperava, a decisão feminina foi decepcionante. Sabine Lisicki não administrou os nervos e permitiu o domínio absoluto de Marión Bartoli, que assim chega enfim a seu primeiro Grand Slam justamente no lugar onde mais sonhou um dia ser campeã. Não acredito que seja um resultado que vá mudar qualquer coisa nos rumos do tênis feminino, embora sirva como exemplo digno que a imprevisibilidade continua e que o esforço vale muito a pena.

O Brasil – Disputamos dignamente as duas primeiras finais que fizemos em Wimbledon em 46 anos, mas Marcelo Melo e Bruno Soares não conseguiram repetir Maria Esther Bueno. Diante da capacidade dos irmãos Bryan, roubar o primeiro set na Central já foi um feito. Aos poucos, a diferença entre as duas parcerias ficou evidente demais. Soares esteve a dois pontos do segundo troféu de Slam e deu muito azar com o backhand na paralela que ficou na rede. Mais uma vez, mostrou jogo de alta qualidade e que merece mesmo estar entre os melhores da atualidade.